O Romantismo se subdividiu em três fases: Primeira, segunda
e terceira gerações.
Partiremos para conhecê-las melhor:
Primeira geração:
Nesta, o ufanismo, em decorrência da recente independência do país, fez com que
prevalecesse um verdadeiro sentimento de nacionalidade, no qual o culto pela
cultura primitiva, em especial à figura do índio, teve sua palavra de ordem. A
título de representatividade, vejamos alguns fragmentos pertencentes a uma
criação de Gonçalves Dias:
"Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabia”.
[...]
Gonçalves Dias
Onde canta o Sabia”.
[...]
Gonçalves Dias
Por meio de uma análise, podemos detectar as
características anteriormente mencionadas, tais como a exaltação da natureza e
o sentimento ufanista revelado pela valorização dos aspectos nacionais.
Segunda geração: Também conhecida como
ultrarromântica, em virtude do exacerbado egocentrismo e da contundente
melancolia. Os representantes dessa geração eram extremamente pessimistas, e
por levar uma vida desregrada, vivendo em ambientes sombrios e úmidos e fazendo
parte da boemia, foram acometidos pelo chamado “Mal do Século”, morrendo
precocemente em função de doenças adquiridas pelos maus hábitos. Observemos
alguns trechos de um de seus representantes:
Lembranças de Morrer
Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nem uma lágrima
Em pálpebra demente.
E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento:
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.
Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro
- Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro;
Como o desterro de minh'alma errante,
Onde o fogo insensato a consumia:
Só levo uma saudade - é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.
Só levo uma saudade - é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas ...
De ti, ó minha mãe! pobre coitada
Que por minha tristeza te definhas!
[...]
Álvares de Azevedo
Detectamos um intenso pessimismo proferido pelo autor, no qual a natureza se torna cúmplice do sofrimento vivido por ele, servindo como pano de fundo para o revelar da desesperança em relação à plenitude da vida.
Terceira geração: Voltada para o social, preconiza
o ideário de liberdade em relação às mazelas instituídas pela sociedade. Tem
como seu principal representante o poeta Castro Alves, mais conhecido como o
poeta dos escravos. Apenas lembrando que a ideologia referente a essa geração
tem no poeta francês Vítor Hugo sua fonte de inspiração, principalmente pela
sua grandiosa criação, Os Miseráveis. Analisemos
um exemplo:

Navio Negreiro ( I)
'Stamos em pleno mar. Doudo no espaço
Brinca o luar - dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar. Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
- Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar. Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
'Stamos em pleno mar. Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
[...]
Castro Alves
'Stamos em pleno mar. Doudo no espaço
Brinca o luar - dourada borboleta;
E as vagas após ele correm... cansam
Como turba de infantes inquieta.
'Stamos em pleno mar. Do firmamento
Os astros saltam como espumas de ouro...
O mar em troca acende as ardentias,
- Constelações do líquido tesouro...
'Stamos em pleno mar. Dois infinitos
Ali se estreitam num abraço insano,
Azuis, dourados, plácidos, sublimes...
Qual dos dous é o céu? qual o oceano?...
'Stamos em pleno mar. Abrindo as velas
Ao quente arfar das virações marinhas,
Veleiro brigue corre à flor dos mares,
Como roçam na vaga as andorinhas...
[...]
Castro Alves
Constatamos uma verdadeira indignação por parte do autor no que se refere ao tema da escravidão brasileira, que por muito tempo se perpetuou pelas entranhas da sociedade.